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Maturação – Por que é importante.

wine-cellarLogo após terminarmos a fermentação do Hidromel entra em ação um período muito importante da vida de nossa bebida, é o período de maturação. E esse período tem inúmeros propósitos: garantir estabilidade, prepara o Hidromel par a garrafa através do desenvolvimento de cor, aromas e sabor, garante um processo de clarificação eficiente (decantação por tempo ou com clarificantes). Deveríamos sempre dar tempo suficiente para que isso tudo aconteça no nosso Hidromel.

Agora, quanto tempo precisamos para isso tudo acontecer? Bem isso vai depender de Hidromel para Hidromel, cada um terá o seu tempo ideal de maturação que será relacionado com sua estrutura em geral (álcool, taninos, acidez, dulçor, carbonatação), hidromeis mais leves tenderão a estabilizar e maturar mais rapidamente que hidromeis encorpados e intensos.

Ainda depende o tempo de maturação dos níveis de antioxidantes presentes na bebida, bem como o cuidado que o hidromeleiro teve ao conduzir as trasfegas e evitar o contato excessivo com o O2. Os antioxidantes podem ser de fontes naturais usadas na receita (ervas/frutas) com alto conteúdo de taninos ou glutationas ou ainda adicionadas propositalmente pelo produtor como agentes protetores (metabissulfito de potássio). Temos ainda a presença de borras após a fermentação como usadas no processo de Sur Lie – que falamos a tempos atrás aqui e aqui – que também agem para evitar oxidações prematuras do seu Hidromel em maturação. Mas nenhum desses compostos vão salvar o Hidromel em que houve excessivo contato com o O2 após a fermentação. Na produção de vinhos as trasfegas dissolvem cerca de 2 a 5 mg/L de O2 no vinho (Ribéreau-Gayon, et al.), no Hidromel dificilmente não teríamos O2 dissolvido e ainda temos que considerar que estamos falando de produções caseiras, onde certamente este índice será maior, então maior tem que ser o cuidado com o procedimento. E devemos sempre considerar todos estes fatores quando estamos pensando sobre o tempo de maturação que pretendemos para nossos hidromeis.

As mudanças que o tempo traz ou pode trazer.

IMG_2215Para hidromeis carregados de frutas/especiarias com matéria colorante intensa, principalmente antocianinas, (ex.: uvas tintas, amoras, framboesas, hibiscos) e se empregada um correto uso do O2 durante a fermentação podemos ter um ganho de intensidade da cor logo após o fim da fermentação, se por outro lado houve deficiência no aporte de O2 nos momentos corretos podemos ter perda de intensidade de cor.  Para hidromeis claros (tradicionais, com frutas de cor clara, especiarias não colorantes) a cor deve ter menor alteração de cor com o passar do tempo, porém o escurecimento, principalmente para um tom castanho/marrom pode ser sinal de oxidação e a causa deve ser imediatamente identificada e corrigida para parar o processo o quanto antes e evitar maiores estragos do que os que já aconteceram. A cor também é usada como um marcador para a idade da bebida, já que tende a perder as coras mais vivas com o tempo de guarda, partindo para uma tonalidade mais atijolada/laranja para os avermelhados e dourado escuro/âmbar para os hidromeis amarelados/dourados.

Os taninos quando presentes também sofrem alterações com o passar do tempo e podem até mesmo sofrer processos de polimerização (se o Hidromel envelhece em barril). Gustativamente as principais mudanças que o tanino sofre nos faz perceber o hidromel com mais macio, com, possivelmente, um volume de boa mais interessante e uma adstringência menos agressiva ao paladar. Ainda se a maturação é feita em uma barrica de qualidade podemos ter o aporte de mais taninos advindos da madeira o que pode contribuir com taninos mais interessantes para o paladar do que apenas os taninos advindos de frutas e/ou especiarias que podem ser mais agressivos.

Aromas sofrem mudanças tanto no envelhecimento no fermentador quanto continuamente na garrafa até o final da vida útil do hidromel. Eles desenvolvem o bouquet mais efetivamente depois de engarrafado, e os aromas secundários e terciários.

Acidez e álcool amaciam imensamente com o tempo, exceto se tivermos um álcool derivado de problemas fermentativos (superiores/fusel) o álcool e a calidez causada pelo mesmo na boca e a intensidade perceptível da acidez mudam sensivelmente com o passar do tempo, se integram melhor e se tornam imensamente mais harmoniosos.

Condições locais de armazenamento também influenciam fortemente na maturação do hidromel. Mudanças frequentes de temperatura são muito complicadas para a maturação pois com a expansão/retração do volume do líquido dentro da garrafa/fermentador/maturador podemos ter a sucção de ar para dentro dos mesmos e induzir oxidação. Cuidado deve ser tomado com a umidade quando falamos de armazenamento das garrafas a longo prazo, pois podemos comprometer a eficiência das rolhas e permitir a entrada de O2 o que irá, sem dúvida, deteriorar seu hidromel na garrafa em pouquíssimo tempo. Luz excessiva também deve ser evitada principalmente se temos garrafas de cor clara/transparente. Vibração também é visto como prejudicial ao envelhecimento de bebidas no longo prazo.

Compreender as mudanças descritas acima, provando e analisando constantemente seus hidromeis é parte integrante da rotina do produtor que deseja cuidar o melhor possível do seu hidromel. Não que seja obrigatório o envelhecimento, cada um faz como desejar, mas observando todos os detalhes acima e maturando seu hidromel o melhor possível antes da degustação, com certeza te entregará uma bebida muito mais equilibrada e complexa. Mais poder para o hidromel. Porém o tempo de maturação não deve ser necessariamente longo, como falamos mais ao início do artigo cada hidromel terá o seu tempo, apesar de todos eles terem algum até mesmo por questão de estabilização fisioquímica da bebida.

Devemos também levar em consideração um fenômeno de comum ocorrência no mundo das bebidas fermentadas que é a chamada doença da garrafa. Sempre que transferimos a bebida de um recipiente para outro de tamanho muito diferente (ex.: do fermentador para a barrica, ou da barrica para a garrafa) estamos modificando volume, pressão e possivelmente o ritmo das mudanças de temperatura, então devemos após as mudanças dar um tempo para a bebida voltar a se estabilizar dentro do novo recipiente. Assim, logo após engarrafar não é o melhor momento para tomar a bebida. Espere alguns dias para melhor aproveitá-la.

 

Um abraço e ótimas fermentações!

Luis Felipe de Moraes 

Fermentação primária e secundária: Qual a diferença?

Fermentação primária e secundária: Qual a diferença?

Fermentação em atividade!

Bem vindos hidromeleiros!! Cada vez que falo com mais pessoas sobre o tema sinto que ainda existe confusão sobre esse assunto que é de extrema importância para a produção de nossos néctares artesanais.

Fermentação secundária ainda é confundida com segunda fermentação ou é pensada como desnecessária, ou ainda, na pressa por terminar logo a clarificação acaba-se passando por cima dessa importante etapa e não é bem por aí.

Partindo do princípio: Fermentação primária.

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Categoria 26C do BJCP

Categoria 26C do BJCP

Aproveitando a carona do post sobre o III Concurso Estadual Catarinense com a participação do hidromel como categoria convidada, acho que podemos falar um pouquinho sobre o estilo de hidromel escolhido para esse concurso: o 26C.

A categoria 26 refere-se a “Outros Hidroméis”, sendo a 26A para metheglyns, a 26B braggots e a 26C hidromel categoria livre. Metheglyns como já sabemos são hidroméis que levam em sua receita ervas ou especiarias. Braggots levam malte. Ok, e a 26C? Ela é estilo livre, mas isso não quer dizer que podemos inscrever qualquer hidromel nela. Ela serva para receitas que não se enquadrem em algumas das demais ou, ainda, receitas que façam misturas de estilos. Ex um cyser que teve parte do seu mel caramelizado como no bouchet e usa baunilha: é 26C!  Um bouchet puro? Existe categoria específica para ele? Não, então é 26C.

Vamos dar mais uma olhada na descrição do BJCP:

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Hidromel na Argentina? Sí, hay!

Hidromel na Argentina? Sí, hay!

Olá caros hidromeleiros! O hidromel não está apenas começando a fazer sucesso aqui no Brasil não, temos também atividades acontecendo em um dos nossos vizinhos.

Lá como aqui, a produção, regulamentação e a quantidade de hidroméis comerciais ainda está engatinhando, mas existe movimentação nesse sentido e um dos maiores exemplos disso é a feira SITEVINITECH Argentina 2014 que será a segunda edição da feira realizada naquele país (a primeira foi em 2012) e contará com uma palestra especialmente focada nos hidroméis. Vale dizer que essa feira é uma das referências mundiais para o setor vitivinícola, conta com mais de 300 expositores, 10700 profissionais deverão visitá-la, e a Argentina é atualmente o 5º maior produtor de vinhos do mundo. Imaginam a repercussão que uma palestra sobre hidroméis pode ter em um evento como esse?

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Conhecendo um pouco mais da BJCP

Conhecendo um pouco mais da BJCP

Olá meus amigos hidromeleiros! Aproveitando a novidade do concurso de juízes de hidromel em SC, vamos dar uma olhada mais atenta no BJCP que até agora, para a maioria acredito eu, era um ilustre desconhecido.

O BJCP serve de guia para todas as competições de cerveja e hidromel artesanais nos Estados Unidos e em muitos outros lugares no mundo inclusive no Brasil. É importante um órgão que atua de maneira a regular e unificar conceitos, formar juízes em cima desses conceitos e que claro, servem de diretriz de qualidade para todos os produtores. É um norte seguro, uma maneira de mostrar aos juízes em uma competição as suas habilidades em produzir uma boa bebida.

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Criando um fermentador de temperatura controlada.

Criando um fermentador de temperatura controlada.

Termostato TIC-17RGTi

Olá a todos! Depois de um breve período de recuperação das festas de fim de ano vamos iniciar os trabalhos de 2014!

Gostaria de falar novamente sobre fermentação com controle de temperatura. Se vocês não se recordam nós já falamos sobre esse tema aqui no blog (Veja o artigo: Clique aqui) e nesse artigo vimos o quão importante é controlar a temperatura para não deixar o mosto ultrapassar os limites tolerados pelas leveduras, pois se isso acontece temos sérios problemas de produção de off-flavors além de hidroméis que não mostram todo o seu pontencial ou ainda precisam de mais tempo de amadurecimento para que cheguem ao seu melhor. E também tenho recebido uma boa quantidade de perguntas sobre o tema vindo principalemente de pessoas que vivem nas regiões mais quentes do país.

Claro que é perfeitamente possível fermentar sem um controle miuncioso de temperatura de fermentação, porém se temos como fazer e sabendo que isso pode melhorar muito nosso néctar porque não tentar?

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Capsicumel – Chocolate com Pimenta

Capsicumel – Chocolate com Pimenta

Chocolate com Pimenta

Olá a todos. Mais uma receita que parece bem diferente e interessante, como estou feliz com meu Metheglyn de café, cacau e baunilha estou procurando mais referências e sobre hidroméis feitos com chocolate e acabei encontrando essa interessante referência de Capsicumel (veja o artigo sobre o tema) com chocolate. O bacana desse receita são as possibilidades de combinações entre o chocolate e a pimenta usadas, o grau alcóolico e a possibilidade de produzir uma verdadeira bomba de sabores e aromas.

Você pode optar por uma imensa variedade de chocolates ou cacau em pó com diferentes níveis de pureza. Algumas pessoas diriam para procurar chocolate belga para a sua receita ter o melhor eu diria para procurar o que mais te agrada.

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