Hidromel

O Sobreiro e a Rolha.

Um bosque montado após o descortiçamento.

Olá a todos. Estes dias estava pesquisando mais a fundo sobre rolhas e suas características e mais uma vez – de muitas – me encantei pelo sobreiro e pelo o que ele significa na cultura portuguesa e para o mundo das bebidas, que é o nosso caso. Então resolvi escrever esse artigo para compartilhar com vocês.

A cortiça é usada desde muito antes de termos garrafas de vidro para o armazenamento de bebidas, existem exemplares muito antigos de uso de cortiça para vedação até mesmo de ânforas de barro para água ou vinho, estão no museu arqueológico de Lisboa. Portugal é responsável por mais de 50% da produção de cortiça no mundo e o sobreiro – a árvore da qual se extrai a cortiça – é considerado uma das jóias da agricultura portuguesa.  O sobreiro é uma árvore do gênero Quercus, ou seja, é uma árvore do gênero do carvalho – do qual existem mais de 700 espécies e são árvores que podem passar dos 200 anos de idade. O que por si só já tem muitas ligações com o mundo de bebidas e alimentos nobres, que tanto gostamos. O Quercus robur, também conhecido como Carvalho-Alvarinho é mais usado para produção de barricas e ancorotes para armazenamento de bebidas (e também é muito presente na França); o Quercus ilex, conhecido também por Azinheira, é o que produz uma das bolotas – o fruto do carvalho – mais doces e este serve para alimentar os porcos Pata Negra que irão dar origem ao famoso presunto cru espanhol de mesmo nome, também é o ingrediente de alguns antigos doces portugueses por serem adocicadas, ao contrário das bolotas dos outros carvalhos que tem certo amargor. Podemos ver claramente que a participação do carvalho na cultura portuguesa e mesmo mundial de bebidas e alimentos vai muito além da madeira para barris.

O fruto do carvalho: a bolota.

Mas voltando ao nosso carvalho objetivo de hoje, o Quercus suber, o Sobreiro. Ele é abundante em Portugal tanto em bosques naturais como em bosques formados pelo homem e o bosque pronto de sobreiro em qualquer um dos casos acima é chamado de “montado” pelos portugueses. Uma vez plantado ou nascido espontaneamente, o sobreiro pode precisar de até 25 anos para ter a casca removida pela primeira vez e nessa primeira vez depois de tanto tempo o que se obtém é a chamada cortiça virgem que não serve para nada além de ser utilizada para construção civil e gera um rendimento muito baixo, porém é uma etapa necessária. No segundo corte já se tem melhor aproveitamento mas ainda não serve para fazer rolha maciças, apenas aglomeradas e à partir do terceiro corte da casca é que se pode obter rolhas desde

Cortiça pronta para o transporte.

que a casca tenha espessura suficiente para tal. Portugal restringe o tempo entre cortes da casca do sobreiro para que a árvore tenha tempo suficiente de regeneração. Esse período é de 9 anos entre cortes – e é lei – e o período de corte é sempre no auge do verão para que a mesma se solte mais facilmente da árvore e evite assim que a casca se parta irregularmente. Uma árvore grande, acima de 40 anos, pode gerar até 45 kgs de cortiça e quando descortiçada por uma pessoa com prática não causa qualquer dano ao sobreiro.

A produção da rolha.

Após ser colhida a placa de cortiça passa por uma etapa de “cozimento”, em que juntamente com o amaciamento da madeira obtém-se uma limpeza da mesma. A água usada pra esse “cozimento” é água devidamente sanitizada (como tudo o que usamos na produção do nosso hidromel, certo??) e trocada com frequência. As placas, que agora não tem mais o formato curvo da árvore, são prensadas, esticadas e selecionadas e então são cortadas em tamanhos ideais para serem trabalhadas e as rebarbas e sobras de corte serão utilizadas para as rolhas e outras composições feitas de aglomerado de cortiça.  Apenas as melhores cortiças é que serão usadas para a extração das rolhas (que é um corte cilíndrico dentro da cortiça) e uma máquina através de leitores ópticos e por peso irá fazer uma separação inicial das rolhas por qualidade, essa etapa é seguida por uma seleção manual.

Rolha maciça.

A qualidade das rolhas é determinada pela porosidade e qualidade do material, podendo ser maciças ou aglomeradas ou ainda a junção das duas possibilidades. Vamos ver:

  • Aglomerada: é a rolha feita com as serragens e restos de cortiça, homogeneizados em tamanho e após serem colados juntos em formato de placas são cortados no formato final de rolha. Se bem feitos podem ter durabilidade de vários anos, podendo chegar a 4 anos com facilidade.
  • Aglomerada 1+1: rolha que segue o mesmo processo de produção da anterior mas tem um ou mais discos de cortiça maciça na extremidade que ficará em contato com o vinho ou ainda em ambas as extremidades. Esse disco de cortiça é comum nas rolhas para champagne e outros espumantes e aumenta bastante a qualidade da vedação e durabilidade da rolha.
  • Grade 3: São rolhas maciças que apresentam bastante porosidade – mas sem comprometer a vedação – podem ter durabilidade de até uma década e custar cerca de R$ 0,50 cada.
  • Grade 2: São rolhas maciças que apresentam grau intermediário de porosidade, podem ter durabilidade de 15 anos e custar cerca de R$ 2,00 cada.
  • Grade 1: São as melhores rolhas que você vai encontrar. Normalmente feitas a partir de cortiças extraídas de sobreiros mais velhos e são, geralmente, mais compridas também. Quase não possuem porosidade e pode manter uma garrafa bem vedado por mais de 2 décadas com certa facilidade. Seu preço pode atingir R$ 3,00 cada uma.
Rolha aglomerada 1+1

Claro que devido ao grande aumento da produção de vinhos no mundo, ao fato de a rolha ser um produto de uso único na vedação de garrafas e ao detalhe de um sobreiro levar 20 anos para começar a produzir, que temos observado o aparecimento de várias “rolhas” alternativas de materiais diversos no mercado para suprir essa crescente demanda. Mas nunca terão o charme e – talvez – a qualidade das rolhas naturais.

Eu tenho buscado sempre rolhas com mais qualidade para meus hidroméis pois entendo que isso é uma maneira de demonstrar respeito para com a bebida que trabalhei para colocar dentro daquela garrafa e também para com a pessoa que terá a oportunidade de desarrolhá-la.

Um viva ao Quercus suber e à magnífica arte de dele extrair a rolha.

Um abraço a todos e ótimas fermentações.

Luis Felipe de Moraes – Pompeia Hidroméis.

 

Hidromel

Como escolher a rolha certa!

Rolhas, nossos protetores!

Olá Hidromeleiros! Um assunto que vem trazendo alguns problemas para alguns hidromeleiros artesanais é a dificuldade em conseguir arrolhar corretamente suas garrafas de hidromel.

O que acontece geralmente é que usando os arrolhadores manuais com sistema de compressão da rolha por funil interno, um pedaço da rolha acaba não entrando na garrafa, o que se torna ruim pois não usamos totalmente a rolha e ainda não garantimos uma correta vedação.E não adianta aquecer a rolha, colocar vaselina ou tentar outros meios que a bendita raramente fica colocada corretamente.

Então qual é e como resolver esse problema?

Continue lendo “Como escolher a rolha certa!”

Hidromel

As Rolhas ou Maneiras de lacrar seu hidromel

Olá a todos e bem vindos novamente ao Pompeia Hidromeis.

Normalmente este é um dos últimos pensados e usados por quem produz hidromel, mas sua importância é tão grande que não tem como não aprofundar-se no assunto. Hoje falaremos das Rolhas e outras alternativas para lacrar sua garrafa de hidromel.

Rolhas são a maneira mais tradicional de fechar garrafas e são para esse fim, muito eficientes. Porém hoje em dia existem materiais alternativos que tem se mostrado muito eficientes e que podem substituir as rolhas de cortiça nas bebidas que não exigem grandes períodos de envelhecimentos. São eles: Rolhas Sintéticas, Screw Caps e VinoLok.

Existe ainda quem goste de armazenam seus hidromel em garrafas de cerveja e para isso usam as tampas clássicas destas garrafas. Eu, particularmente, não gosto, pois acho que perde um pouco do “charme” da coisa toda. Mas se você não se importa com isso e já tem todo o material vá em frente. Apenas note que não tenho conhecimentos para dizer a durabilidade da bebida usando esse material.

     Vamos começar com a tradicional Rolha de Cortiça:

Continue lendo “As Rolhas ou Maneiras de lacrar seu hidromel”