Entrevista: Vicky Rowe – GotMead.com

19397187_10212431100265142_2047132008299645851_nHoje tenho a honra de compartilhar uma super entrevista com vocês! A nossa convidada é ninguém menos que Vicky Rowe, proprietária do site GotMead.com e diretora executiva da Americam Meadmakers Association e apaixonada por viajar para encontrar os amigos, pela sua família e netos e uma das maiores (se não a maior) incentivadoras do hidromel no mundo!

Ela é sem dúvida nenhuma uma das pessoas mais influentes no mundo do hidromel e através do seu site GotMead.com ela influenciou e influencia pessoas na produção do hidromel desde o início na popularização da internet. Inclusive este que vos escreve! Quando comecei a pesquisar sobre hidroméis a principal referência era o site GotMead e o fórum homebrewtalk.com, então é um enorme prazer poder entrevistar essa grande personalidade do mundo hidromeleiro.

Vicky teve desde criança contato com produção de bebidas, pois seu pai era produtor de vinho em casa, “geralmente fazia vinho no porão” e também era uma pessoa que gostava de ler livros de fantasia, geralmente encontrava nestes a bebida chamada hidromel e claro que nisso o seu destino começava a dar dicas da direção que pretendia seguir: “em 1985 um amigo fez hidromel em casa e nós compartilhamos” e aí estava a primeira ligação de amor com a bebida. Um ano depois em um festival renascentista ela provou novamente hidromel “era enjoativamente doce e eles serviam em doses de 100 ml por 4 dólares e eles estavam vendendo a garrafa por 9 dólares, então estavam fazendo muito dinheiro disso” conta Vicky que imediatamente pensou “I posso fazer isso” e foi buscar as informações para aprender sobre hidromel. Era um tempo que a internet ainda engatinhava no mundo e utilizando a rede CompuServe (um dos primórdios da internet) ela chegou aos livros do Roger Morse e do Acton e Duncan, “estes livros me ensinaram algo” e logo adiante, com o desenvolvimento da internet ganhando fôlego, encontrou mais informações no grupo SCA (Society for Creative Anachronism  ou A Sociedade para Anacronismo Criativo – em tradução livre) e “informação sobre hidroméis históricos”. Logo, Vicky já era em 1990, uma ativa produtora de hidroméis!

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O famoso logo do GotMead.com

Tão interessada estava que foi aprender HTML e “criei uma pequena página na web para salvar as informações que encontrava e notas para mim mesma”. Outras pessoas começaram a encontrar a página dela “e assim o GotMead nasceu. Hoje é um site com mais de 200 páginas, um grande fórum, múltiplos grupos no facebook e um podcast. E, claro, continua a crescer acompanhando o crescimento pelo interesse no hidromel”.

Para Vicky o GotMead “sempre significou uma maneira de trazer informação para todos que estão interessados e tem se tornado um importante lugar para pessoas aprenderem e encontrar outros recursos”. Através do GotMead, Vicky pode ajudar a fundar a The Mazer Cup International – atualmente a maior competição de hidromel do planeta – , conhecer muitas pessoas do mundo do hidromel, ajudar a indústria hidromeleira a crescer e também “foi de grande ajuda em me tornar a Diretora Executiva da Associação Americana de Hidromeleiros – AMMA (American Mead Makers Association – em inglês).

Durante essa longa jornada ela viu, “através dos anos trabalhando em competições” o hidromel melhorando dramaticamente indo de “ruim e médio para excelente” e acredita que a qualidade continuará a melhorar enquanto obtemos acessos “novas e melhores técnicas e ferramentas de produção de hidromel” e que o mundo dessa fantástica bebida já passou por diversos grandes momentos desde que ela nele está mergulhada.

Sobre as inovações em produções, ela vê os “hidromeis session (hidroméis com baixo teor alcoólico) como os mais promissores do mercado, já que são rápidos para produção e mais fáceis para a aceitação do consumidor, tanto quando para restaurantes e pubs trabalharem, mais associados com o que se espera de uma sidra ou cerveja em termos de consumo” e aposta também nos hidroméis “secos para demi-sec que harmonizão com refeições, o que também ajuda a coloca-los nos pubs e restaurantes”. Este é, inclusive, um estilo que já está popularizado nos Estados Unidos ela lembra que “hidroméis com baixo teor alcoólico existem já a algum tempo”.

Sobre hidroméis brasileiros ela apenas ouviu falar e ainda não teve a oportunidade de provar nenhum, mas sabe que a América do Sul é uma das regiões que estão quentes quando o assunto é hidromel e ela ainda completa “neste ponto parece que os Estados Unidos tem o maior interesse (sobre hidromel), mas a tendência corrente mostra que o interesse cresce rapidamente na Europa, Canada, Américas Central e do Sul e na borda do Pacífico”.

Falando sobre seu trabalho de consultora da indústria hidromeleira, ela nota que uma das maiores dificuldades das indústrias é  o fato de que “as hidromelarias sofrem para alcançar pessoas fora da sua área local e pessoas que já conhece sobre hidromel”, fatos que são cada vez mais importantes para quem quer ter sucesso na comercialização de sua produção e também nos conta que nos Estados Unidos a maior parte dos consumidores de hidromel “vem das cervejas artesanais, já que são muito abertos a coisas novas”.

Como era de se esperar a Vicky não tem um estilo favorito de hidromel pois “existem tantos estilos maravilhosos”, mas consegue nos apontar um dos últimos hidroméis fantásticos que marcou sua memória “recentemente, eu provei um Pyment absolutamente maravilhoso da Crafted Artisan Mead, chamado ‘In Yo Face Pyment. Era feito com uvas cabernet sauvignon e envelhecido por 6 meses em barris de Bourbon. O bouquet e sabor eram impressionantes”.

Ela adora produzir cysers, melomeis, tradicionais e também metheglins e dá uma dica para quem está começando: “Perquise. Faça sua lição de casa e aprenda técnicas modernas. Não tenha medo de experimentar com diferentes méis e ingredientes, e pegue dicas com outros hidromeleiro mais experientes para te ajudar a melhorar”.

Para finalizar, Vicky nos conta que “ama a ser possível seguir sua paixão pelos hidroméis e manter o GotMead para ajudar os hidromeleiros, e pelo trabalho com a AMMA ajudar o hidromel a crescer nos Estados Unidos e encorajar hidromeleiro por todo o mundo”

E certamente sua dedicação pelo hidromel e todas as conquistas que essa fantástica bebida proporcionou na sua vida nos servem de grande inspiração e encorajamento para seguir firmes nesse caminho.

O Pompéia Hidroméis agradece imensamente Vicky Rowe por compartilhar conosco um pouquinho da sua vida!

Um grande abraço a todos e ótimas fermentações

Luis Felipe de Moraes – Pompéia Hidroméis

Abaixo segue a entrevista no original e na íntegra:

1 – Tell us a little about your history regarding mead and how you get to “Got Mead”.

I’ve always been interested in home winemaking, my father used to make wine in the basement when I was a child. And I’ve always loved fantasy books, which often included mead. After leaving university in 1985, a friend made a mead at home and we shared it. I really liked it. Then I had some mead at a renaissance festival in 1986. It was cloyingly sweet, and they served a 100ml portion for $4 US. The mead they were selling sold for $9 US a bottle, so they were making a lot of money from it.

I immediately thought ‘I can do this myself’ and set out to learn how to make mead. There was very little information available, and very little internet. I obtained information via Compuserve that lead me to Roger Morse’s book, and Acton and Duncan. These books taught me some. As internet started to happen, I was able to locate some information posted by those who did SCA (Society for Creative Anachronism ), and some other historical mead information. I practiced HTML learning, and created a small web page to save the resources I found, and notes for myself. Others began to find my list of resources, and thus GotMead was born.

Gotmead has since grown into a 200 page website, a large fórum, multiple groups on Facebook and a podcast, and continues to grow and evolve as interest in mead increases

2 – What the website “The Got Mead” means for you, what have it changed in your life?

Gotmead has always meant a way to bring mead information to anyone who is interested, and has become an important place for people to learn and reach out to other resources. Because of GotMead, I was able to help found the Mazer Cup, meet many people in the mead industry and help the mead industry grow. And GotMead was helpful in becoming Executive Director of the American Mead Makers Association

3 – How do you see the mead quality in both home making and industrial comparing when you started your interest on meadmaking and now? How do you see it in the future?

Meadmaking quality has improved sharply since I started my interest in mead. Over the years of working with competitions, I have seen mead go from bad and average to excellent. I believe that mead quality will continue to get better as we have access to new and better meadmaking techniques and tools

4 – When was the biggest moment in the mead world in your opinion?

That is a difficult thing to say, as there have been many ‘big moments’.

5 – Is there a mead style – or technique – you think is more promising regarding the market? Why?

I believe that session meads (mead below 8% ABV) will be the most promising in the market, as they are fast to produce, and easy for consumers to accept and drink, and for pubs and restaurants to carry, much like cider or beer. I think the second mead style will be off dry to semi-sweet meads that will pair well with meals, which will also help get them into pubs and restaurants

6 – What countries do you see more interested in meadmaking, both home and comercial?

At this point, it seems that the US has the most intense interest, but current trends show that interest in mead is fast increasing in Europe, Canada, Central and South America, and the Pacific Rim

7 – Do you see any country developing a particular mead styles in mead industry? Do you have any traditional mead you really apreciate?

Developing a style? Well, I suppose that the lower ABV meads (session meads) were at least popularized in the US, though I don’t think we can claim to have invented it, as hydromels have been around for a while. Poland has very specific styles designed as nationwide style guidelines.

8 – As you work as consultant, what was the greatest difficulties for the industries to reach the market? Today is much different compared to ten years ago?

The biggest difficulty I’ve seen is in reaching people outside the mead industry and the people who already know about mead. Today is somewhat easier, but most meaderies struggle to reach people outside their local area and the people who already know about mead

9 – What have you heard of brazilian mead so far? Have you tasted any?

I have only heard about Brazilian mead from my friends who make it. I have not had the opportunity to try it yet

10 – In US mead market, where does the consumers usually come from, beer or wine or none of those? Do they make any comparisons with other beverages?

Many come from craft beer lovers, as they are very open to new things

11 – Whats your favorite style of mead? Why?

I don’t really have a favorite, there are so many wonderful mead styles available!

12 – What’s the mead you can’t forget? Tell us about it!

Recently I had an absolutely wonderful pyment from Crafted Artisan Mead called ‘In Yo Face Pyment’. It was made with cabernet sauvinon grapes and aged 6 months in bourbon barrels. The bouquet and flavor were stunning.

13 – What’s your advice for meadmakers starting the path?

Research. Do your homework and learn modern techniques. Don’t be afraid to experiment with honeys and ingredients, and get the input of other meadmakers who are experienced to help you improve

14 – Are you a meadmaker? If yes tell us more about it!

Yes, I’ve been making mead since 1990, and love to make cysers, melomels, traditionals and metheglins.

15 – Do you have a passion?

Lots of them! I am passionate about mead, of course. But I’m also passionate about traveling to meet my friends, and about my Family and grandchildren

Feel free to let us any final words.

I love being able to follow my passion in mead in running Gotmead to help meadmakers, and by working with the American Mead Makers Association to help grow mead in the US and encourage meadmakers all over the world!



Categorias:Entrevistas, Hidromel

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