Legislação Hidromel – Estamos Preparados?

Olá a todos!

Essa semana li uma carta escrita pelo meadmaker e escritor Ken Schramm autor do livro “The Compleat Meadmaker” (sem versão em português), Ken é uma das maiores influências no mundo dos hidroméis, principalmente nos Estados Unidos, e seu livro tem ensinado muita gente mundo afora a fazer hidroméis. Nesta carta ele cobra o Alcohol and Tabacco Tax and Trade Bureau (TTB) que é o órgão que regula a produção de bebidas por aquelas bandas, seria o equivalente ao nosso MAPA em termos de fiscalização sobre solicita urgentemente uma revisão sobre as classificações e sobre a formulação do hidromel e sua consequente nomenclatura no rótulo. Por exemplo, eles atualmente tem que denominar todos os hidromeis deles como Mead (hidromel em inglês), ou seja, não haveria diferença no rótulo quanto a um Metheglyn (hidromel com ervas e especiarias) de um Melomel (hidromel com frutas)! O fato, defendido por Ken Schrann e que este que vos escreve concorda plenamente é que quem consome hidromel sabe que Metheglyn, Melomel, Pyment, Bouchet, etc, são estilos de HIDROMEL! Da mesma maneira que Sherry, Porto e Colheita Tardia são exemplos de estilos de VINHO!

Muito legal a atitude do Sr Kenn Schramm. Mas e no Brasil? Como anda a nossa legislação sobre hidromel?

De acordo com o decreto 6871 de 4 de Junho de 2009, seção III: Art. 48. Hidromel é a bebida com graduação alcoólica de quatro a quatorze por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida pela fermentação alcoólica de solução de mel de abelha, sais nutrientes e água potável. Em um decreto anterior diz-se que ainda pode ser adicionado açúcar no mosto e que então a bebida teria de ser chamada Bebida Alcoólica Mista. E isso é tudo o que temos sobre hidromel.

É muito vago! Nós estamos em uma situação ainda mais crua do que a americana. Não temos legislação específica sobre a produção de hidroméis, como acontece por exemplo com os vinhos e com as cervejas, o hidromel está apenas inserido juntamente com as demais bebidas e isso acaba prejudicando esse promissor mercado que está para despontar no Brasil tanto quanto os consumidores da bebida que adorariam ter a sua disposição hidroméis bem elaborados, com várias possibilidades de composição de receitas e sua devida descrição aos consumidores. Quem se dispõe a prontificar uma empresa e os devidos registros e alvarás para produzir seriamente o hidromel encontra sempre uma enorme dificuldade para especificar seu próprio produto.

Temos que nos preparar desde já, pois agora temos um grande número de produtores artesanais que fazem em casa por pura diversão. E é do meio dos produtores artesanais que saem os novos empreendimentos que geram emprego e renda e também abastecem o mercado com uma variedade de produtos com características próprias e das mais variadas e sempre de altíssima qualidade. Acho que o Governo Federal deveria apoiar agora os pequenos produtores para que possam colocar o Brasil na dianteira dessa revolução no mundo das bebidas, criando assim um novo e gigantesco mundo de possibilidades.

Nos EUA já existem diversas Hidromelarias em funcionamento e o mercado cresce a todo vapor. A Mazer Cup International é a maior competição de hidroméis do mundo. No Brasil já tivemos esse ano a inclusão de hidroméis no concurso anual de Cervejas Artesanais promovido pela AcervA Catarinense e para o ano que vem isso deve se repetir e talvez com mais de uma categoria. Existem pessoas se movimentando para conseguir o registro junto ao MAPA para finalmente lançarem seu hidromel no mercado, cursos e palestras sobre hidromel começam a despontar e a pergunta que surge: Vamos esperar o trem passar para prepararmos o que precisamos? Ou podemos nos unir e tentar mobilizar algum deputado, ou atingir o Governo de alguma forma para prepararmos uma legislação coerente e completa sobre o hidromel? Eu pretendo fazer a minha parte e ainda essa semana vou começar a enviar cartas a alguns políticos que possam se solidarizar com a causa.

Gostaria imensamente de saber a opinião de vocês sobre esse assunto e de sugestões de como poderíamos proceder para tentarmos uma mobilização sobre o assunto.

Coloco também na íntegra a carta escrita por Ken Schramm para que vocês vejam as dificuldades por ele encontradas em comercializar hidroméis nos EUA (O que diria ele se estivesse tentando produzir aqui no Brasil?).

Um abraço a todos e ótimas fermentações!

Luis Felipe de Moraes – Pompeia Hidroméis

 

Carta de Ken Schramm:

September 10, 2013

Ken Schramm
Owner
KDS, LLC
Schramm’s Mead
327 West Nine Mile Rd.
Ferndale, MI 48220

John J. Manfreda
Administrator
Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau
1310 G Street, NW., Box 12
Washington, DC 20005

Dear Mr. Manfreda;

Thank you for your service to our country. While some may not see it this way, it is vitally important to the functioning of our civilization that people such as you serve to keep the systems and structure of our society working as they should. Thank you.

I am writing to ask if some attention can be given to a situation with the TTB that is affecting the burgeoning mead industry. Mead is a small but growing part of the beverage alcohol trade. Having reviewed the TTB’s web site, I have not been able to find mead-specific rules or documented interpretations that address the nature of the mead industry.

The areas that create challenges are recipe formulation and label approval. The Formulas tab of the TTB Online “Formulas Online” submission tool requires that all fermentable ingredients be listed as percentages by volume. For every beverage except some distilled products, water is, in fact, the largest volumetric ingredient. For meads made with fruit, however, the largest contributor of extract (honey), and the largest contributor of volume (fruit or fruit juice) are going to be different.

Throughout the mead world, if the majority contributor of extract to a fermented beverage is honey, the beverage is mead. This has been the case across many different cultures and for many centuries. Irrespective of adjuncts such as fruit or spices that may be part of the recipe formulation, if more than 50% of the extract in the must is contributed by honey, the beverage is, above all else, mead. For purposes of analysis, the formula would be:

G/B ÷ (HV/B) = N

Where:

G = Original Gravity of entire batch in Brix
B = Volume of batch
H = Gravity of honey in Brix (Average = 82.8 Brix)
V = Volume of honey
N = Percentage of extract from sources other than honey

To be mead, the quotient N must be less than .49. I am asking that the TTB permit any beverage that comports to this formula to be labeled as “Mead.” Sadly, and quite ironically, the TTB is refusing to allow beverages that comply with this definition to be labeled as mead, saying that such labeling would be misleading. In truth, to allow a beverage which has more than 50% of its extract from honey, and more than 50% of its alcohol produced from the fermentation of honey to not be called “mead” would be misleading.

It would also be valuable for mead producers to be able to add descriptors “Fruit Mead” or “Spiced Mead” to mead labels without fear of rejection, in much the same way “Ice wine” or “late harvest wine” are used to describe some grape wines.

Implementation of this standard would help in two ways. First, the Bureau would be applying the same nomenclature to label and recipe formulation standards that mead makers do. Secondly, it would permit labeling which would help consumers grasp and understand mead as a beverage. For mead makers and mead-aware consumers, fruit meads (melomels, cysers or pyments) or spiced meads (metheglins) are meads, in the same sense that Port, Sherry and Sauternes are styles of wine, but still wine.

This change would also create a fairer, more objective standard. Mead makers who use fruit concentrates currently get an unfair advantage. If you use real fruit, the larger percentage of fruit (volumetrically) may prevent you from labeling the product as mead. Use concentrate – smaller quantities of a lower quality ingredient than those who use real fruit – and honey can appear to contribute quantitatively the greatest volumetric share of the must, and enable the product to be labeled “Mead.” In reality the fruit juice, which is being reconstituted with the addition of water, is contributing the greatest volume in the product. This interpretation tilts the recipe formulation and labeling decision-making process away from conscientious, quality-minded mead makers, and away from the interests of the consumer, both outcomes I do not think the TTB would consider its goals.

I am making this plea from two separate standpoints. As a fledgling commercial mead maker, I am seeking to create a playing field that will allow me to do business effectively, compete, prosper and create jobs. I am also a serious mead enthusiast, the founder of the Mazer Cup Mead Competition, the largest mead competition in the world, and the author of “The Compleat Meadmaker”(©2003, Brewers Publications, Boulder, CO), the best selling book on mead making (perhaps ever). It might be immodest, but it is not inaccurate to say that I may be the most widely read authority on mead alive. For more than 25 years I have been studying mead, making mead, writing and speaking around North America on mead. I am deeply committed to the growth of this industry, which supports mead makers, mead lovers, beekeepers, fruit, spice and beverage production equipment manufacturers and wholesalers. It is my intent to make the best meads I possibly can, and meads they are, by the common interpretation of those most familiar with the beverage. It is my hope that the TTB will consider using the same definitions of the beverage that those who know and make it use to define it. These current interpretations by the TTB labeling staff are causing harm to this young and growing industry.

Sincerely,

Ken Schramm

Cc: Susan Evans
Cc: Senator Debbie Stabenow
Cc: Senator Carl Levin
Cc: Representative Kerry Bentivolio
Cc: Representative Gary Peters
Cc: President Barack Obama



Categorias:Hidromel

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10 respostas

  1. Perfeito Luis era o Post que faltava, muitas pessoas tem dúvidas sobre esse assunto, e creio que será uma longa discussão ainda sobre isso principalmente por sermos o País que somos!!

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  2. Luis, se não me engano o povo pode sugerir um projeto de lei ou algo parecido através de uma petição e/ou abaixo assinado. Creio que um advogado saiba informar melhor, mas acho que se alguém se dispor a escrever a legislação e regras e com a ajuda de algum político possa fazer um peso nos orgãos reponsáveis e atingir nossos objetivos. Abaixos assinados online são uma mão na roda nessas situações.

    Sou leigo no assunto, então posso estar errado, mas é algo que vale a pena pesquisar.

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  3. Muito pelo contrario, essa definição vaga é muito boa para o produtor que pode ter maior liberdade ao fazer a bebida. Deixar de forma livre a produção, o problema do rotulo pode simplesmente ser soluciona com um detalhe pequeno, o produtor deveria mostra de outra forma a diferença entre as bebidas.

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  4. Felipe boa noite,

    Gostaria de saber se depois de quase um ano há alguma novidade sobre o assunto.

    Obrigado pela a tenção mais uma vez!

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  5. Boa noite,
    Por acaso vc ja estou o hidromel com 50% de água e 50% de mel.
    Daria certo? Como ficaria o sabor?
    Forte abraço.

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  6. Seria legal tambem que se pudesse fabricar o Hidromel dentro do entreposto de mel.

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