Guia para fazer hidromel em casa!

Meus caros! Bem vindos novamente ao Blog Pompeia Hidromeis!

Algumas pessoas me deram a ideia de elaborar um pequeno e básico guia sobre produção de hidromeis! Vou descrever o processo básico. Cada tema é muito mais profundo do que isso, mas é apenas para podermos ter uma linha de ação. E claro é possível sim produzir hidromel desta maneira e pode-se inclusive obter bons resultados usando o básico!

OBS: Essa versão foi escrita em 2015 e já temos uma versão mais recente desse artigo.

  • Matéria Prima

    A escolha do que se vai usar é muito importante. Pois é daí que se tira o potencial para um bom produto final. O cara pode ser o produtor mais criterioso e disciplinado, mas sem uma matéria prima de qualidade não vai conseguir um bom produto

    O mel é obviamente a principal matéria prima e tem que ter a atenção merecida quando for adquirido. Um ponto importante a ser observado é que na prática qualquer mel (claro que isento de defeitos) por ser usado para a produção de hidromel. No começo das minhas produções eu defendia não usar o mel de bracatinga e de eucalipto pelas características mais acentuadas destes méis e pela tendência ao amargos que os mesmos trazem. Mas hoje minha linha de pensamente aponta para o fato de que não há mel ruim e sim receita mal preparada para aquele mel. Todas as características de um mel podem ser devidamente aproveitadas em um hidromel desde que bem pensadas.

      Quando for usar frutas dê preferência as frutas frescas ou pelo menos congeladas. Evite os sucos e polpas. Os sucos ainda podem ter a desvantagem de ter conservantes que podem inibir a ação das leveduras, complicando assim as chances de uma fermentação saudável. Para ervas segue o mesmo princípio: prefira as frescas e faça questão de escolher bem. Sinta o aroma e o sabor de tudo que for usar, brinque de mesclar ingredientes antes de adicionar no hidromel para ver se eles funcionam de verdade, pois depois que colocar no hidromel já era…

         Especiarias: Existem muita diversidade quando se fala de especiaria. Então pesquise bem! Decida o que usar com carinho e procure fornecedores que gostem de compartilhar seus conhecimentos. São sempre os melhores.

         Um última regra importante: NUNCA coloque no hidromel algo que você não consumiria. Se não serve para seus pratos, temperos ou para seu consumo, não serve para seu hidromel.

  • Equipamento

       Tudo bem, não precisa montar um equipamento digno de industria, mas vamos manter um mínimo de esforço aqui. Um fermentador que tenha vedação perfeita e possa ser bem limpo é obrigatório. Airlocker também. Sem ele a chance de contaminação é grande de verdade.

      Mangueira de silicone para o sifonamento também ajuda muito (custa baratíssimo e você acha até em casa de Autopeças e Material para construção). Sifonar ajuda a não espalhar novamente a borra decantada.

     Limpeza do equipamento é um objetivo – e necessidade – comum de quem fermenta qualquer coisa em casa! Não limpar corretamente pode causar a contaminação e você vai perder toda uma leva. Você não quer isso, quer? Então capriche. Remova todo sedimento visível primeiro, depois use álcool, iodo, cloro ou produtos comprados em lojas de produtos para  vinícolas, cervejeiros etc. Limpe: fermentador, colheres, copos, tigelas, mangueiras, panelas, as superfícies de trabalho, enfim, tudo o que terá contato com seu mosto. Não economize aqui.

  • Elaborando o Mosto

     Agora que temos tudo o que precisamos vamos lá, aqueça o mel que vai usar e dissolva na água. O Ideal seria ter um densímetro para saber o quando de açucares você tem no mosto. Mas se não tem, não tem problema, use a clássica receita de 3 partes de água para uma de mel. Se tem o densímetro então use a calculadora do site GotMead e verifique a densidade necessária para o volume de álcool desejado. Eu gosto que meus hidromeis tenham entre 12 e 13 % abv. Então meus mostos ficam com a gravidade entre 1.086 – 1.096 (para hidromeis secos). Pode-se também nesta fase adicionar as frutas ou qualquer outro adjunto desejado. Tem pessoas que preferem colocar os adjuntos apenas após a fermentação primária. Colocar no começo ou no final do processo tem suas diferenças sim, mas uma não necessariamente é melhor do que a outra, acho que cada uma imprime as características do adjunto de maneira distinta, então experimente e veja qual é a maneira que mais se enquadra no seu jeito de fazer hidromel.

      Dissolvido o mel na água agora vamos colocar as leveduras. Todo fabricante tem suas instruções de como preparar a levedura. Em geral para as secas deve-se: Colocar um pouco de água, a cerca de 40°C, em uma tigelinha (sanitizada) e colocar as leveduras sem mexer. Espere 15 minutos e mexa bem. Adicione essa levedura devidamente preparada no seu mosto e na sequência adicione os nutrientes (se não usa, deveria). Importante notar que a diferença de temperatura do mosto para o fermento não deve ser maior que 10° no momento da adição do mesmo, para não perturbar a saúde das leveduras. Seres delicados, não?

       Feito isso, vamos agitar nosso mosto para que oxigene o máximo possível. Precisamos de oxigênio nessa fase para que as leveduras se multipliquem ao máximo. Pode agitar o mosto nos dois ou três primeiros dias sem medo!

      Lacre seu fermentador o melhor que puder. O único meio de contato que o mosto deve ter com o mundo exterior é pelo airlocker.

     Coloque o fermentador em um local fresco, seco e longe da luz do sol. Se possível fermentar com controle de temperatura melhor ainda!

  • Etapas da fermentação

     Após a primeira e vigorosa fermentação, que deve durar de 15 dias a 25 dias, o que não é uma regra, devemos monitorar de perto a atividade fermentativa. Assim que ela estiver quase estagnada devemos realizar a primeira trásfega para evitar a autólise. E então realizar trasfegas sempre que for visível uma camada de borra no fundo do fermentador.

      Após a primeira trásfega, quando acaba a fermentação primária, podemos também complementar nosso mosto com frutas, ervas, especiarias, etc. Pode-se usar um saquinho de chá ou um pano muito bem limpo para colocar os adjuntos no mosto assim facilita imensamente a limpeza.

       Agora que temos um mosto totalmente fermentado e limpo, já colocamos nossas frutas, ervas, especiarias ou o que quer que seja, vamos decidir se deixamos envelhecer no fermentador ou engarrafamos. Eu particularmente gosto de engarrafar o quanto antes.

      No total, entre fermentações, trásfegas e envelhecimento, vão se passar no mínimo 2 ou 3 meses. Mas lembre-se que o hidromel beneficia-se muito do envelhecimento e esperar um pouco pode ser uma sábia escolha.

      Pessoal. Eu sei que isso é um guia básico! Mas essa era a proposta do artigo. Pode-se e deve-se aprofundar muito em cada etapa. Espero que tenham gostado.

Luis Felipe de Moraes – Pompeia Hidromeis

Temos uma nova versão desse guia!

18 thoughts on “Guia para fazer hidromel em casa!

  1. Olá!

    Até fazes isto parecer fácil, mas há termos que não compreendo particularmente. Barreira linguística… Airlocker? Bracatinga?

    Meu amigo, desejo-te toda a sorte do mundo!

    Beijinhos

    1. Oi Cátia!

      Fico muito feliz com sua visita!

      A bracatinga (Mimosa scabrella) é uma árvore nativa das regiões mais frias do Sul do Brasil.
      Ailock ou airlocker é uma válvula que permite que os CO2 originado pela fermentação saia do fermentador ao mesmo tempo que impede que entre qualquer coisa (principalmente contaminantes) para dentro do mesmo.

      Obrigado,
      Beijos!

  2. Saudações desde Portugal!

    Pretendo iniciar-me na produção caseira de hidromel e o seu site revela-se bastante útil. Apanhei uma receita bem básica na internet e gostava de ter a sua opinião sobre a mesma.

    A esta receita pensei ainda adicionar passas de uva de forma a obter maior graduação alcoolica (é correcto?).
    Se correr bem, pretendo evoluir para as receitas que apresenta no seu site.

    Melhores cumprimentos,

    1. Boas Abel!

      Fico feliz por ter gostado do Blog! E os tugas são sempre muito bem vindos por aqui!

      Sobre a receita que mencionou: Pelos ingredientes e quantidades esta receita vai terminar leve quando ao alcool, e com acidez e adstringencia marcantes. Os cítricos emprestam ácidez (ácido cítrico) e o chá taninos (adstringencia).

      No geral será uma receita simples. Boa para uma primeira experiência!

      Já as uvas passas servem para fornecer nutrientes para as leveduras e claro dar um pequeno toque de sabor e aroma. Isso não aumentará a graduação alcoólica mas garantirá uma fermentação mais saudável, já que evitará stress das leveduras por falta de nutrientes.

      Para uma primeira receita eu também indicaria essa: http://pompeiahidromeis.wordpress.com/2013/04/11/receita-de-hidromel-tradicional/

      Grande abraço,
      Luis Felipe – Meadmaker
      Pompeia Hidromeis

      1. Boa Noite Luis, Produtores de cachaça usam fuba ou farelo de arroz como nutrientes para as leveduras, vc saberia se pro hidromel isso seria eficiente tbm?

  3. Bom dia.

    Uma dúvida sobre a fermentação. Li diversos artigo do seu blog (muito informativo por sinal) mas não achei a resposta pra esta dúvida.

    Como eu sei quando devo terminar com a fermentação? Devo esperar para que as bolhas do airlock cessem completamente ou quando elas estiverem com algum certo intervalo de tempo, já posso realizar as trásfegas e engarrafar?

    Ou existe alguma regra diferente?

    Obrigado e sucesso!

    1. Boas Eduardo e obrigado pelos elogios!!

      A fermentação vai variar em tempo de hidromel para hidromel devido a vários fatores (temperatura, levedura, densidade específica do mosto, etc). As bolhas terem cessado não quer dizer que acabou a fermentação, quer dizer apenas que ela reduziu bastante, mas normalmente nessa etapa já se pode sim fazer a primeira trasfega. Agora certamente seguirão algumas trasfegas antes de pensar em engarrafar o seu hidromel pois o hidromel demora para ficar limpo de verdade.

      Atenciosamente,
      Luis Felipe

  4. Muito bom! você fez um excelente resumo de quase tudo que já vem comentando.
    Em outro post seu vou fazer um comentário sobre minha “iniciação” ao mundo do hidromel.
    Grato

  5. Excelente seu trabalho sobre produção de hidromel, muito elucidativo e mostra nãO somente o como mas o porque.Sem falar das possibilidades de dar um aroma e sabor pessoais, o que o distingue dos hidromeis comerciais, mais restritos, ao menos no Brasil, onde é novidade…Parabens e obrigado pelo seu belo trabalho

  6. Ótimo o seu blog, Luis!
    Estou fazendo o meu 1º hidromel descente.
    Sobre a fermentação, a minha começou umas 2 horas logo após adicionadas as leveduras no mosto. Isto é normal? Pode ser sinal de algum problema?
    Está fermentando a 3 dias agora, normalmente, sem nenhum problema

    Parabéns pelo trabalho!

    Abraço

    1. Olá Fabio,

      Obrigado pelo elogio. Fico sempre muito feliz.

      Depois de inculada a levedura pode levar até 72 horas para passar pela “lag fase” e começar a fermentar efetivamente. Ou seja, duas horas está excelente! Boa sorte aí!

      1. Está fermentando fazem 14 dias hj, e parece estar saudável. Bolhas saem do airlock a cada 8 segundos em média.
        Fiz uma experiência logo de saída…queimei 1/3 do mel que usei numa panela, e fiz um blend com o restante do mel. Estou curioso para ver o resultado.
        Já fizeste algum hidromel com mel queimado, Luis?
        Ví um vídeo de um cara fazendo, e achei muito interessante…segue link

  7. Bom dia Luís,

    estou me organizando para produzir o meu primeiro hidromel, no post você fala para evitar o mel de eucalipto, moro em uma região onde existe uma grande produção de mel de eucalipto, e consigo por um preço muito atrativo.
    A chance de conseguir fazer um bom hidromel com mel de eucalipto é pequena?

    1. Atualmente eu penso levemente diferente de quando escrevi este artigo. O mais importante é adequar o mel à receita certa. Então procure criar a receita de uma maneira em que todos os atributos do seu mel sejam usados de maneira correta e pode sim ter um bom hidromel com mel de eucalipto. Abraço

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